16 de Fevereiro de 2011

A Câmara Municipal de Nisa, na Nota de Imprensa n.º 09 de 07/02/2011, informa o seguinte:

"No próximo dia 20 de Fevereiro, a associação juvenil INIJOVEM promove a caminhada "Trilho da Serra de S. Miguel", na aldeia do Pé da Serra, freguesia de S. Simão (Nisa).

Esta caminhada abre o calendário 2011 de actividades pedestrianistas promovidas pela INIJOVEM. Trata-se de um passeio pedestre circular que, ao longo de cerca de 14 km, terá como pano de fundo a Serra de S. Miguel, ponto mais alto do concelho de Nisa, que se eleva a 463 metros de altitude, miradouro por excelência desta região do norte alentejano. Terá ainda como principais pontos de interesse a visita às aldeias do Pé da Serra, Vinagra, Monte Cimeiro, esta última desabitada desde cerca de 1984, a subida ao alto da Serra junto ao vértice geodésico de S. Miguel, onde em tempos idos, existiu a Capela do Arcanjo com o mesmo nome. Esta caminhada cruzará ainda, nalguns pontos, o percurso pedestre "PR5: À Descoberta de S. Miguel". No final da caminhada realizar-se-á, na sede do Centro Recreativo e Cultural "Os Amigos do Pé da Serra", um almoço convívio sob o lema "Leva o teu e come do de todos!".

Os interessados em participar poderão inscrever-se até dia 18 de Fevereiro e obter mais informações na Internet (http://inijovem.blogspot.com) ou através do contacto directo na sede da INIJOVEM, em Nisa (Rua Marechal Gomes da Costa, 12), entre as 21h30 e as 24h00), por telefone (245 413671, 934777819) ou por correio electrónico (inijovem@gmail.com).

Apoiam esta iniciativa a Junta de Freguesia de S. Simão e o Centro Recreativo e Cultural "Os Amigos do Pé da Serra".

As actividades pedestrianistas (caminhadas) têm numerosos aderentes no concelho de Nisa. Ao longo do ano, colectividades como a INIJOVEM e a Associação NisaViva e outras entidades, designadamente as escolas promovem caminhadas nos espaços urbanos e nas áreas rurais, aliando a prática da actividade física ao contacto com a natureza, à descoberta das belezas naturais e ao conhecimento do património histórico. Nas margens dos rios Tejo e Sever foram definidos e sinalizados 8 percursos pedestres registados e homologados pela Federação Portuguesa de Campismo e Montanhismo."

publicado por DELFOS às 12:45

"Do estudo - Temas Etimológicos - inserto no Boletim de 1976 do C.D.C.R., do já consagrado Toponimista António Augusto Batalha Gouveia, vamos transcrever o que escreveu a respeito de Alpalhão.

"Se o topónimo ALPALHÃO mantém intactos raízes primitivas e tudo parece indicar que sim, então posso adiantar que o mesmo procede das vozes anteriores AR-BAR-UM modificar nas variantes diacrónicas AL-BAl UM, AL-BAL-OL e AL-PAL-ON.

Vou seguidamente examinar cada um dos morfemas inclusos na locução ARBARUN.
A voz AR que por vir do abrandamento de vibrantes se sonorizou, AL, denominava, num remoto estado linguístico, o ESPÍRITO ou a ALMA.

O morfema BAR remonta à voz semítica BA, cuja a aspiração vocálica foi com o advento da escrita notada pelo signo correspondente ao nosso H e daí a grafia BAH.
Este BAH sofreu diversas mutações fonéticas decorrentes da referida aspiração surgindo assim os cognatas BAR, BAL, etc.

Na sua passagem para o indo-europeu a labial sonora B permutou com a surda P, originando deste modo os cognatos PAH (em que o "h" tem aqui o valor fonético notado pelo "êta" (grego) PAR, PAL, etc....

O BAH semítico denominava simultâneamente o PAI divino e o MAR. O vocábulo árabe para "mar" apresenta, no nosso alfabeto, a grafia BAHR.
Caso particularmente interessante é o dos vocábulos portugueses "mar" e "mãe" provirem da mesma raiz indo-europeia MAH significativa de "Grande".
Quer isto dizer que a grafia actual "Pai" com "i" carece de apoio etimológico, porquanto este nome evoluiu paralelamente à voz "MÃE".

O morfena Turano indo-europeu UN, que representava a voz original "U" significativa de "Primogénito divino", "Filho de Deus" e "Homem" sofreu várias fonatações fonéticas filhas do génio próprio de cada idioma, passando a soar OM em sânscrito e On nas línguas germânicas. Do OM em sânscrito derivaram os gregos a palavra "OMOS" (o mesmo), espécie que os latinos importaram para com ele denominarem a nossa e (Homo, port. Homem).

Os vedas conservaram a voz Un, como se pode verificar no livro 10-129 do Rig-Veda que verto para português:

"No princípio não existia o ser nem o não ser;
Não havia espaço nem firmamento.
Qual era o seu conteúdo? Onde estava e quem o guardava?
O que era a água profunda, a água sem fundo?
NEM a morte nem a não morte existiam nesses tempos;
Nem sinal distinguia a noite do dia.Encerrado no vazio, o "UN" respirava mutuamente; As trevas envolviam as trevas".

Sendo o BAR o "Pai" ou o "MAR" e UN o primogénito divino gerado pelo "mesmo" resultou daqui a arcaica concepção religiosa, e ainda vigente, de que Deus e o Homem, o Pai e o Filho, eram duas naturezas numa só e que ligados pelo Espírito consubstanciavam as três essências divinas, isto é, tornaram-se ao mesmo tempo no Deus Uno e Trino.

Quando a crença nas divindades marinhas cedeu perante o panteão celeste, a direcção UN confundiu-se com a voz AN, outro cognato de "ESPIRÍTIO" que passou a apelidar o Deus do Céu assírio-babiliónico.

Os gregos formaram a palavra "homem" prospondo a voz AN a raíz asiânica THUR (um dos cognatos do nome "DEUS" : DIUR, DIUSS, DEUS) que corrompida por metátese se transformou em THROS e daí a dupla direcção ANTHROS e ANDROS (Espírito de Deus).

A voz cognata de ANTHROS, ANTHOS, que primitivamente tinha o mesmo significado, foi empregado pelos gregos para denominar a "FLORA"entrando o onomástico lusitano sob as formas equivalentes ANDO e ENDO.

Esta última foi anteposta ao tema latino Bélico ou Vélico (guerreiro) passando a apelidar o deus lusitano Endobélico ou Endovélico (Espírito de Deus guerreiro) corresponde ao Ares Grego, ao Marte romano e ao português S. Jorge.

Endobélico ou Endovélico era, entre nós, um deus tópico, isto é, o seu culto circunscrevia-se a uma área geográfica que tinha ALPALHÃO no seu aro. Situava-se o seu santuário no Monte de S: Miguel da Mota, perto de Alandroal.

Este último topónimo é revelador do "ubi" de Endobélico, dado que Alandroal decompõe-se nas vozes AL-ANDRO-AL, sendo este o sufixo designativo de "Terra " "Campo" "Área" "Recinto", etc., logo Alandroal encerra a significação primitiva de "Terra de Espírito de Deus Guerreiro", Endovélico, tal como Jeová era o "Senhor do Exército Lusitano".

Resumindo tudo quanto venho de dizer, temos que o toponómio ALPALHÃO procede de voz anterior, a qual corresponde a significação etimológica do "ESPIRITO DO PAI E FILHO DIVINO", ou o que é o mesmo "ESPÍRITO DE DEUS".
publicado por DELFOS às 09:58

MAS FOI UMA BOMBA QUE EXPLODIU E QUE PARECE QUE È A SEGUNDA VEZ QUE A COISA ACONTECE NAS TERRAS DESTE ALTO ALTENTEJO...

O jornal "diariodosul.com.pt/index,php/economia/4776" informa o seguinte Alentejo recebe 14 milhões do PIDDAC mas há 18 concelhos que ficam de fora, assim informava o seu povo e os seus leitores e as suas gentes.

Em ano de contenção a proposta do Governo é pouco generosa em sede de PIDDAC (Plano de Investi-mento e Despesas de Desenvolvimentoda Administração Central) no tão propalado Orçamento de Estado para 2011.
Os concelhos alentejanos repartem apenas 14 milhões de euros, mas há 18 municípios que não foram contemplados com qualquer verba. Évora lidera o investimento, com um total de 3,1 milhões de euros, seguindo-se Beja, com 2,3 milhões.
Na capital do Alto Alentejo a componente 2 do programa Polis recebe cerca de meio milhão de euros, enquanto a já anunciada requalificação do Convento São Bento de Castris viu consignados 333 mil euros. Já para a construção do Arquivo Distrital o governo liberta 20 mil euros, sendo que a Escola André de Resende e o Pólo dos Leões também estão entre a lista.
Por ordem alfabética, Arraiolos viu consignada a requalificação de espaços públicos, com 334 mil euros, enquanto Borba recebe 145 mil para Escola EB Padre Bento Pereira. Também a Escola Sebastião da Gama, em Estremoz, recebe 363 mil euros, menos sete mil do que Montemor-o-Novo, que foi contemplado com 370 mil euros para a ordem pública e serviços de saúde. Mourão tem 434 mil euros atribuídos ao Lar Senhora das Candeias, da Santa Casa da Misericórdia.
Portel e Redondo foram ambos contemplados com um milhão de euros para os respectivos centros de saúde, ao mesmo tempo que Vila Viçosa vai receber 499 mil para remodelação do Palácio da Justiça.
Ficaram de fora Viana do Alentejo, Mora e Vendas Novas.Enquanto em Beja, cerca de 2 milhões vão directos para a segunda fase de construção da Escola Superior de Tecnologia e Gestão, sendo que 350 mil serão encaminhados para o lar de idosos da Casa do Povo de São Barnabé, os 206 mil euros atribuídos a Alvito destinam-se à criação da EB1/Jardim de Infância, sendo que Barrancos recebe 97 mil para o centro de saúde.
A maioria das verbas atribuídas a Ferreira do Alentejo (125 mil), Odemira (10 mil) e Mértola (292) destinam-se à remodelação do património judiciário, embora Mértola vá ainda dispor de uma percentagem para o Lar de Idosos, Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário de São Miguel do Pinheiro e à criação de trilhos para visitação e conservação do Vale do Guadiana.
Já os 5 mil euros que o PIDDAC atribuiu a Ourique contemplam a requalificação da Escola Básica, enquanto Serpa recebe 149 mil para expansão da Rede de Lojas do Cidadão. Vidigueira vai requalificar a Escola Básica integrada Frei Antó-nio das Chagas com 309 mil euros
De fora do PIDDAC 2011 no distrito de Beja ficam os concelhos de Moura, Castro Verde, Cuba, Aljustrel e Almodôvar.
Nos concelhos do Litoral Alen-tejo, Sines surge na linha da frente com um total de 870 mil euros, para repartir entre a ampliação do molhe leste no Terminal XXI, controlo de operações marítimo portuários, sistema judiciário, centro de saúde e plano de praia do norte, que vai receber a maior fatia deste “bolo”, com 500 mil euros.
Alcácer do Sal tem inscritos 637 mil euros para a Santa Casa da Misericórdia do Torrão e mais 65 mil para o novo mapa judiciário, que no concelho de Grândola rende uns solitários 10 mil euros.
Já Santiago do Cacém, o mesmo sector acolhe um investimento de 226 mil euros.
Portalegre é o distrito mais penalizado com este apertar de cinto. Vai receber apenas 966 mil euros e dez concelhos ficaram à margem. Arronches, Sousel, Monforte, Avis, Fronteira, Alter do Chão, Ponte de Sôr, Marvão, Castelo de Vide e Crato.
Elvas recebe mais de metade do montante, com 537 mil euros a serem destinados à construção do Estabelecimento Prisional e Palácio da Justiça, enquanto Campo Maior recebe 145 mil para a Escola Básica João Baptista e expansão de Lojas do Cidadão.
A capital de distrito garante 135 mil euros para o Colégio e Igreja de São Sebastião, Plano de Acção de Alegrete e EB Cristóvão Falcão. Avis é contemplado com 29 mil euros para a operação de revitali-zação do centro histórico. Gavião viu consignados 115 mil euros para o Centro Social da Santa Casa da Misericórdia e a EB Professor Mendes dos Remédio (Nisa) surge na lista com 5 mil euros.
publicado por DELFOS às 08:38

Ares situava-se numa zona de confluência de 2 Ordens Militares Ordem do Hospital como o atesta o marco da Urra.

Em 1232, por doação régia de D. Sancho II, o domínio hospitalário alargou-se consideravelmente para Sul, passando a integrar as vilas de Amieira, Gavião e Crato. As obras promovidas pela Ordem, neste último aglomerado, que viria a ser a sede da instituição, são conhecidas e tiveram lugar imediatamente após a doação de 1232.

No entanto, a vila de Amieira, cuja posse se integra na mesma conjuntura, foi dotada de um castelo já muito tarde, sensivelmente um século depois de passar para as mãos dos Hospitalários. A sua construção ficou a dever-se a Álvaro Gonçalves Pereira, filho bastardo do bispo D. Gonçalo Pereira, prior da Ordem do Hospital e pai do futuro condestável do reino, Nuno Álvares Pereira. Foi, ainda, a este último que se deveu a transferência da sede da Ordem, de Leça do Bailio para o Crato (1356), circunstância que levou toda a estrutura hospitalária para o coração do seu principal domínio fundiário.

O castelo da Amieira explica-se nesta conjuntura renovadora do papel e da acção da Ordem. Três anos depois, D. Pedro I visitou a fortaleza, cujas obras deviam estar já bastante adiantadas, apesar de só terem sido formalmente concluídas em 1362.

O próprio Álvaro Gonçalves Pereira manifestou grande cuidado na construção e evolução deste castelo, aqui falecendo em 1375. De acordo com os estudos de Mário Barroca, que aqui seguimos, o castelo da Amieira é o protótipo de castelo gótico português. O castelo possuía ainda dois níveis de defesa complementar, referidos na documentação do século XIV: um fosso, de que não resta, hoje, grandes vestígios e uma barbacã ao redor da fortaleza, que formava um segundo patamar de difícil transposição em casode cerco. A fortaleza sofreu várias modificações nos séculos posteriores.

Nos reinados de D. João II e de D. Manuel, há referência a obras, provavelmente de adaptação da estrutura às novas exigências da guerra. Simultaneamente, serviu de prisão, função determinada pela excelência do projecto arquitectónico.

Adossada a uma das torres, mas fora das muralhas, a Capela de São João Baptista data de 1556, conforme inscrição sobre o portal principal. Perdida a função militar, pelo afastamento das linhas de fronteira, o castelo decaiu de importância. No século XVIII, grande parte das antigas estruturas estavam abandonadas e parte da fortaleza havia sido adaptada a residências civis. Por essa altura, a torre de menagem foi alvo de um parcial projecto de recuperação, mas pouco mais se fez para reverter a funcionalidade militar de um dos nossos principais castelos góticos.

Em 1232 a vila do Crato é doada aos Hospitalários.

O governo pretendia consolidar a fronteira leste na Beira Baixa e norte do Alentejo e dilatá-la para sul. Hospitalários e Templários lutam de armas na mão pelos marcos das suas propriedades.

Em 1230 estala uma guerra entre o alcaidee concelho da Covilhã contra os Templários de Castelo Branco. A doação de Belver aos Hospitalários insere-se na política seguida pelo nosso segundo rei de atribuir a esses “profissionais de guerra, que eram os cavaleiros das Ordens Militares, regiões fronteiriças sensíveis, numa altura de ataques violentos levados a cabo pelos Almóadas.

Mas pensamos que nessa zona haveria já um esboço de sistema defensivo”.

Assim, verificamos que a implantação geográfica da vila de Ares, não terá sido por acaso, uma vez que já na Carta de Delimitação do Foral de Marvão, existia a referência à “Turre de Ares”, como forma de identificar o limite e a situação estratégica de vigia, com a existência de uma torre, na zona onde iria servir de divisão às duas Ordens Militares.

"Arez da Idade Média à Idade Moderna: um estudo monográfico Leitão, Ana Cristina Encarnação Santos Tese de mestrado em História Regional e Local apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2008 http://catalogo.ul.pt./F/?func=item-global&doc_library=ULBO1&type=O38doc_number=OOO546695

http://hdl.handele.net/1045/1738"

publicado por DELFOS às 07:44

"O Bispo Diocesano, inteirado sobre o velhíssimo projecto do Pisão e o que ele representa para vários concelhos - Crato, Alter, Fronteira e Avis -bem como os anos que leva de promessas e falsidades, tratou de estudar o caso.
Conta o D. António ao nosso jornal que «fiz perguntas sobre a barragem do Pisão e soube que esteve primeiro para se chamar de Andreus - o que não interessa para o caso - mas os estudos começaram em 1958».
«Perguntei sobre se o terreno tinha sido expropriados e responderam-me que não, se bem que não me souberam dizer se os terrenos junto ao paredão foram ou não expropriados».
«Agora os estudos foram feitos, depois houve os estudos ambientais, entretanto também houve estudos sobre a rentabilidade, sobre se o caudal da Ribeira de Seda com a Ribeira Grande viabilizava os objectivos» e sei que «houve equipas e mais equipas umas atrás das outras» a fazer os estudos, «depois surgiram questões sobre se a finalidade seria só agrícola, depois se seria só para abastecimento de água, e acaba por ser sempre a barragem que só se constrói e só se anuncia em altura de eleições».
Conclui o Bispo que, «pelo que vejo é um projecto que parece não ter pernas para andar, embora as gentes quisessem que sim», se bem que saiba que há um grupo de pressão liderado pelo Câmara do Crato»"

O blog "ALENTEJO no NORTE" concorda com Senhor Bispo Diocesano. Concorda com a entrevista que deu ao jornal "ALTO ALENTEJO".
Também diz, não deixa de ser a pura verdade, este edil com os municípios que fazem parte do projecto e querem a sua construção para o desenvolvimento dos seus concelhos, eles, já foram a Lisboa falar com os Grupos Parlamentares sobre o assunto e parece que boas águas trouxeram da nobre capital lá Lisboa.
Mas o blog também diz, para quem estuda esta cultura popular e na zona, quem promete acaba por faltar à sua palavra...
publicado por DELFOS às 06:06

Charneca!
Pela agreste que nos ouvidos, soa plena de aridez e de rudeza.

Lembra a secura da Planície.
A amargura insipidez de tanto quadro semelhante.

Charneca!
Charneca lembra a terra dura.

O campo ressequido ao sol ardente.
A campina a desbroar-se em ermo e solidão.

Charneca!
Lembra o silêncio perturbador do descampado.
O pavor da distância indefinida.
A monotonia da planura sem fim.

Charneca!
Lembra a natureza impregnada de mistério,
criando em nós a magia da amplidão a da quietude.

Charneca!
Lembra a vastidão do mar. A turva imensidão do mar!
Mar a que não faltam ondas,
quando a ventania corre, à deriva, pelas searas.

Charneca!
Lembra a aspereza dos cenários.
Rudes cenários, em que, fatidicamente,
mourejam tantas almas simples -
- gente que tem a vida na vida da própria terra.

Charneca!
Lembra a alma impressionante dos "montes",
habitações qgachadas, espalmadas nas Planície!
Casas pequenas, onde, à noitinha ,
se recolhem famílias que labutam,
uma vida inreira,
nos campos incomensuráveis.

Charneca!
Lembra o suplícido do arvoredo.
A dor marcada nos retorcidos troncos dos místicos sobreiros.
Solitários monges da Charneca!
Monges martirizados que parecem fitar,
de braços entrelaçados e resignados,
a curva azul do céu,
- "gritando a Deus - como diria Florbela -
a bênção de uma fonte!"

Charneca!
Lembra o olhar infinitamente nostálgico
e extático dos bois.

O olhar lânguido e mormo que eles entornam
pelas imensas várzeas ondulantes.

Charneca!
Lembra os montados. as manadas. Os rebanhos.
Lembra os pobres ganadeiros
que vêm nascer e morrer
gerações de animais
que se habituaram a estimar
HOMENS que se esquecem de tudo à sua volta,
dos dias da semana como os meses do ano,
sabendo apenas em que altura cai
o S. Miguel ou o S. Mateus,
porque o patrão lhes dará um fato novo..................

in "HORÁCIO NOGUEIRA - HÁ VIDA na CHARNECA" - 1956
publicado por DELFOS às 04:34

O seu 1.º foral, lhe foi dado pelo grão-prior do Crato em 1262. (Gaveta 15.ª maco 9, n.º 18). Este foral, tinha todos os privilégios do de Évora.
Deram-lhe outro foral, os cavalleiros de Malta, em 1281.
No 1.º foral, deram os hospitalários (maltezes) aos povoadores de Tolosa, além d´outras, uma herdade, na ribeira do Sôr, com o foro de duas dizimas; porém no 2.º, dizem os senorios - "E dêdes a nós de todo o froyto, que Deus dér, a dizima apiritual, de hum alqueire de trigo, por fogaça, e hum capom, por Sam Miguel, cada huum d´aquelles, que y fordes herdades" (Doc. da Torre do Tombo).
Os babitantes de Tolosa, gozavam os grandes privilégios de caseiros de Malta.
O rei D. Manuel, lhe deu foral novo (confirmando, em tudo, o antigo) em Lisboa, a 20 de Outubro de 1517. (Livro de foraes novos do Alemtejo, folhas 107, col. 2.ª e folhas 110, col. 1.ª) ...
E assim a coisa o Pinho Leal, o nobre amigo, assim ele a escrevia...
publicado por DELFOS às 04:15

André Valério Sales[1]
A “pequenina Arez” potiguar é uma cidade “doce, silenciosa, acolhedora, com seu ar amável de estação de cura” (Câmara Cascudo, 1946).

1. Introdução:
Esse texto apresenta um estudo etimológico sobre a origem e a significação do nome de Arez, município do Rio Grande do Norte.
Logo à partida, devo esclarecer que conhecemos dois lugares que possuem o nome de Arez, ambos escritos exatamente da mesma forma:
I) Em Portugal, existe o pequeno povoado de Arez, que faz parte do município de Nisa, no Distrito de Portalegre (Alto Alentejo). Com apenas cerca de 360 habitantes, a Arez lusitana é apenas uma freguesia de Nisa. O mais antigo documento histórico conhecido a citar o nome daquele povoado, o Foral de Marvão – datado de 1226 –, demonstra que o topônimo era então escrito como sendo Ares, com a letra /s/ no final.
II) E também existe aqui, no Brasil, um município que foi denominado Arez, desde 1760, numa homenagem prestada àquela pequenina freguesia lusitana por ordem do Marquês de Pombal; localizado no litoral sul do estado do Rio Grande do Norte, possui cerca de 12.700 habitantes (IBGE, 2010). Por estar distante da principal rodovia federal que lhe dá acesso, a BR-101, e por ser um pouco afastada das magníficas praias de nosso litoral, a Arez potiguar sempre teve um lento desenvolvimento econômico e turístico, com seu ritmo próprio e incomparável aos demais municípios vizinhos, como, por exemplo: Tibau do Sul, que é privilegiado por ser detentor de belas e famosas praias; e São José de Mipibu, que está às margens da BR-101 e tem uma população quatro vezes maior que a de Arez.
Aproveito então esse espaço para convidar aos leitores a virem conhecer, em nossa Arez, o Frontal do Cemitério Histórico (de 1882), tombado pelo IPHAN como Patrimônio Histórico Nacional (Turismo Religioso); que venham conhecer a Ilha dos Flamengos, habitada pelos holandeses que invadiram Arez entre 1634 e 1652 (Ecoturismo)[2]; e que venham participar de nossas grandes Festas Populares: em junho (festa do padroeiro, São João) e dezembro (festa da padroeira), além de conhecerem os famosos bordados de Labirinto produzidos na cidade, e usufruírem das delícias de nossas comidas típicas (Turismo Folclórico), etc. E mais: procurando sem pressa, os turistas vão achar, sim, ainda que pequenos e acolhedores, restaurantes e pousadas em Arez.
Em sua avaliação sobre os atrativos turísticos desse município, a escritora Anna Maria Cascudo (1972: 15) afirma que as “possibilidades turísticas [de Arez], hoje em dia, se prendem mais à parte das suas imagens preciosas e monumentos históricos”. Particularmente sobre as estátuas dos 3 Reis Magos (do Século XVII), tombadas como Patrimônio Histórico Nacional – abrigadas na Igreja de São João Batista –, ela ressalta que “são famosas pela sua beleza” e que “são dignas de visita”.

2. Sobre a origem do nome Arez:

Por que a cidade é chamada de Arez?

Em relação a esse antigo problema de Etimologia[3], como é comum na atualidade recorrer-se imediatamente à Internet, devo esclarecer que na Wikipédia, uma inusitada “enciclopédia” virtual de construção coletiva, encontramos o nome de Arez grafado de duas maneiras diferentes, ainda que ele seja escrito da mesma forma tanto em Portugal quanto no Brasil:
a) Existe o verbete intitulado AREZ, com a letra /z/ no final, referindo-se apenas à pequenina freguesia localizada em Portugal (http://pt.wikipedia.org/wiki/Arez). Nesse site, descobrimos que a Arez portuguesa é um povoado situado oficialmente no município de Nisa, desde 1836, e que possui 362 habitantes (dados de 2001); Nisa, por sua vez, pertence ao Distrito de Portalegre, na sub-região do Alto Alentejo.
b) Ao mesmo tempo, encontramos também naquela “enciclopédia” virtual um verbete que trata especificamente da nossa Arez potiguar, o pequeno município do Rio Grande do Norte aqui em questão (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ar%C3%AAs), no entanto, ainda que sejam palavras homônimas, a Wikipédia escreve o nome de nossa Arez brasileira de forma errada, grafando-a como ARÊS, com /s/ no final e acento circunflexo /^/ na letra /e/.
Isto significa que para quem é adepto das “rápidas pesquisas” feitas via Internet, deve-se tomar cuidado com a veracidade das informações contidas na Wikipédia, pois, de acordo com o exemplo acima, notamos que ao invés de contribuir para tirar a dúvida, sobre a escrita do nome de Arez, o que aquela “enciclopédia” faz, na verdade, é confundir os leitores.
Em termos de leis, podemos assegurar que segundo decisão da Câmara Municipal de nossa Arez, a potiguar, de acordo com uma emenda à Lei Orgânica do município (datada de 05/03/1993), o nome da cidade foi definitivamente oficializado, em nível municipal, como sendo AREZ, com /z/ ao final, da mesma forma como se escreve o nome da freguesia portuguesa, que foi aqui homenageada por ordem do Marquês de Pombal, como já citado.
A referida emenda ainda dispõe que “deverão ser notificados todos os órgãos de direito”, e está inclusive publicada no livro de João Alfredo de Lima, Anotações Sobre a História de Arez (2000: 29). Antes disso, em nível estadual, desde 29/03/1938 o Interventor Federal Rapahel Fernandes Gurjão (Decreto nº 457) já havia “elevado”, oficialmente, a “Villa de Arez” – escrita com /z/ no final –, à categoria de “cidade”.
Quem entende um pouco da História do Rio Grande do Norte sabe que em 15 de junho de 1760, há 250 anos, por ordem de Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), o Marquês de Pombal[4], um antijesuíta famoso, foi decido que aqui, neste nosso município, não haveria mais a “Missão de São João Batista de Guaraíras”, e sim, a Nova Villa de Arez, numa inexplicável homenagem ao pequeno povoado de Arez situado em Portugal. É importante observar que, desde aquela época, o nome do município potiguar já era escrito como sendo Arez, com /z/ no final (Livro de Tombo da Matriz de Nova Villa de Arez/RN, Registros de 01 e 04/08/1763)[5].
De acordo com Câmara Cascudo, alvarás régios de 1755 e 1758 “determinavam a substituição dos nomes nativos nas povoações [ocupadas pelos lusitanos] pelas denominações de localidades portuguesas” (1968: 162); as ordens vindas de Portugal eram taxativas: “Denominareis [as povoações ocupadas] com os nomes dos lugares e vilas destes Reinos, que bem vos parecer, sem atenção aos nomes bárbaros que têm atualmente” (id.: 181).
No Rio Grande do Norte, a mesma mudança ocorreu, por exemplo, também com a Missão jesuíta/indígena de “São Miguel de Guajiru”, que passou a ser chamada de Estremoz (em 03/05/1760), homenageando, por sua vez, a cidade portuguesa de Estremoz, pertencente ao Distrito de Évora; sem rival até os dias atuais, a igreja da Aldeia de Guajiru, destruída com o passar dos anos, nas palavras de Cascudo era “o mais lindo templo barroco da Capitania” (1955: 111), “a mais linda igreja” que aqui já existiu (1968: 180).
Afora a cidade do Natal, capital do Estado, que já existia com o título de “cidade” desde a sua fundação – em 25 de dezembro de 1599 –, foram então criados, por causa do Marquês de Pombal, os 3 primeiros municípios do Rio Grande do Norte: Estremoz, Arez e Portalegre (Cascudo, 1955: 111-112; 1968: 162, 180), cujos nomes, seguindo as leis acima referidas, homenageiam a localidades portuguesas.
No entanto, até hoje não se sabe o porquê da antiga Aldeia de Guaraíras ter sido rebatizada com o nome de Arez. Não se sabe o objetivo de tal homenagem. Por que, ao invés de se ter escolhido o nome de um Distrito lusitano (como no caso de Portalegre), ou de outra cidade qualquer (como Estremoz), alguém elegeu, para rebatizar aquela Missão indígena potiguar, o nome de uma pequena freguesia portuguesa?
Fica aqui registrada essa idéia, visando a pesquisas futuras.
Além dessa interessante questão, que exige uma investigação mais aprofundada, inclusive nos arquivos históricos portugueses, há ainda outra grande dúvida que remete a um problema cuja resposta, até hoje, continua obscura: qual é a origem ou o significado da palavra Arez?

3. Afinal, o que significa Arez?

Tanto a origem da palavra Arez é obscura quanto o seu significado; parece até mesmo que é impossível fixar seu étimo. Entretanto, existem várias hipóteses, entre plausíveis e implausíveis, acerca do significado desse nome. Aliás, há que se ressalvar que nem mesmo o célebre etimologista potiguar Câmara Cascudo teve êxito em suas pesquisas acerca da origem do topônimo[6].
Em seu livro Nomes da Terra, Cascudo descreve toda a História da mudança que houve na toponímia da antiga Missão de Guaraíras, rebatizada em 1760 como Arez, no entanto, em se tratando do significado do nome deste município potiguar, nota-se que aquele historiador não conseguiu defini-lo.
Por exemplo, no referido livro, Cascudo (1968: 69-132) define os nomes de diversos povoados e Rios de Arez, como: Aranun, Baldum – nome de um Rio que, nas palavras do autor, “não é vocábulo indígena nem consegui identificá-lo” –, Cametá, Camucim, Dendê, Flamengo, Groaíras (atualmente Guaraíras), Irimuá (ou Limoal), Mangabeira, Nambutiú (atual Rio do Meio), Panguá, Papeba, Patané, Paturá e Urucará[7]; porém, o autor não revela que existissem nem mesmo hipóteses acerca da origem da palavra Arez.
Isto somente vem a demonstrar como é bastante difícil o trabalho de etimologia que tento empreender no presente texto.
Antes de apresentar as 5 hipóteses mais conhecidas na atualidade sobre a origem e o significado da palavra Arez, é preciso assinalar que não é obrigatório que nós tenhamos que acreditar ou apontar uma dessas hipóteses como sendo “a verdadeira”, como definindo “a verdade” dos fatos.
Nesse caso, como é ainda um enigma a definição do nome de Arez, o mais importante é conhecer quais são as hipóteses existentes na literatura, compreendê-las, sem a pressuposição de que, necessariamente, deva existir “uma” que seja “a verdadeira”[8].
Ou seja, mesmo que ninguém chegue a comprovar a origem do nome Arez, e ainda que não haja resposta “única” e “verdadeira” para esse problema, devemos saber então quais são todas as possibilidades existentes acerca de seus prováveis significados.
É preciso enfatizar, inclusive, que as cinco hipóteses analisadas a seguir são apenas suposições, e todas elas, igualmente, são carentes de comprovação pela via de fontes históricas.

As duas hipóteses levantadas pela Câmara Municipal de Nisa (Portugal):

Sobre a origem e significado da palavra Arez, duas interessantes hipóteses são levantadas pelo site da Câmara Municipal de Nisa (Portugal), município no qual se localiza o povoado de Arez, que publicou um texto contendo informações turísticas sobre aquela sua pequena freguesia (http://www.cm-nisa.pt/). A partir da leitura do referido escrito, fica claro, logo de antemão, que na própria Arez portuguesa não se sabe ao certo a origem da toponímia.


Citando a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, o documento do Concelho de Nisa expõe as seguintes hipóteses acerca da gênese do nome Arez:
1) A palavra Arez – que também já foi escrita como Ares – poderia ter sido originada em referência aos bons “ares” do lugar. Porém, tal hipótese é imediatamente descartada, no próprio documento em questão, e tida como “inaceitável”.
Particularmente, não tive tempo ainda de visitar a freguesia portuguesa de Arez, entretanto, até onde eu saiba, por meio de consulta a amigos que residem próximos àquele local, realmente são “bons” os ares daquele povoado.
Sobre a possível validade dessa hipótese, é preciso esclarecer que de acordo com o Índice Toponímico do Concelho de Nisa, de Fernando Portugal (1964: 505), a mais antiga citação documental ao nome de Arez, como antes referido, encontra-se no Foral de Marvão, datado de 1226; foi nessa época, é interessante lembrar, que a língua portuguesa começou a ser escrita – “nos fins do século XII ou início do século XIII” (Azeredo, 2008: 393).
Segundo o Foral citado, descobrimos que naqueles primeiros anos do Século XIII o nome do povoado era escrito como sendo “Ares”, com a letra /s/ no final, o que pode muito bem significar que a Arez lusitana tenha sido, sim, batizada numa referência aos seus “bons” ares! Porém, essa hipótese, como todas as demais, não possui comprovação embasada em fontes históricas.
É também a partir do Foral de Marvão que se pode inclusive levantar outra hipótese, como analisarei mais adiante: a de que o nome da Arez portuguesa também pode ter sido dado em homenagem ao deus grego da guerra: Ares.
2) Outra hipótese, também apontada pela Câmara de Nisa, é que o nome de Arez poderia ser uma homenagem a um dos mais importantes deuses da época pré-romana: Arêncio (ou Arentius), e que da palavra Arentius, por corruptela, teria nascido o topônimo Arez (ou Ares).
Na antiguidade, quando Portugal – tal como conhecemos hoje – ainda não existia, e aquelas terras da Península Ibérica eram chamadas de Lusitânia, sabemos que imperava então um rico politeísmo.
Os arqueólogos Salvado, Rosa e Guerra, em seu texto Um Monumento Votivo a Arância e Arâncio, Proveniente de Castelejo (2004: 237-242), demonstram com seus estudos que havia naquela região central de Portugal, um pouco mais ao norte do povoado de Arez, um culto ao casal divino Arêncio e Arência (ou Arentius e Arentia), e não apenas a Arêncio em particular, comprovado por meio de escritos em monumentos votivos – inscrições gravadas em pedras, como agradecimento a promessas cumpridas pelos deuses.
Há que se ressaltar que essas “aras votivas” datam já do período pós-romano, pois antes da ocupação romana na Lusitânia, as tradições religiosas eram repassadas às gerações futuras apenas pela via da oralidade, ou seja, foi somente depois da chegada dos romanos na Península Ibérica que começaram a existir inscrições epigráficas relativas aos deuses lusitanos.
Os arqueólogos citados revelam, sobre a existência de comprovação histórica do culto ao par divino Arêncio e Arência, através da epigrafia, que: “a distribuição destes nomes de divindade circunscreve-se à zona centro interior portuguesa, registrando-se ocorrências [feitas por especialistas] em Zebras, Fundão”, Ferro, Covilhã, Rosmaninhal, Monsanto, Idanha-a-Nova, Ninho do Açor, Castelo Branco e Sabugal (Salvado et al., 2004: 239-240), além das localidades próximas de Moraleja e Cória, em região espanhola.
Desse modo, é fato comprovado que não há referências ao culto aos deuses Arêncio e Arência na freguesia de Arez, nem na região do município ao qual pertence, Nisa, e nem mesmo em qualquer outro município do Distrito de Portalegre, no qual Nisa está localizada. Em se tratando, portanto, da hipótese de que o nome de Arez seria uma homenagem ao deus Arêncio, a partir do exposto anteriormente verifica-se que esta suposição é duvidosa e carente de comprovação nas fontes históricas atualmente disponíveis, tal como ocorre com as demais hipóteses aqui analisadas.
No entanto, devemos enfatizar que a hipótese não pode ser declarada inválida, ainda que, até hoje, ninguém apresentou meios de confirmar a possibilidade de ela vir a ser verdadeira.
Avalio essa hipótese como sendo um tanto quanto forçada, talvez até mesmo forjada, na atualidade, por estudiosos puristas, cultuadores das tentativas de resgate da história dos deuses de tempos pré-romanos.
Esses estudiosos, talvez nostálgicos com tais cultos primitivos, enxergam referências àqueles deuses em todo espaço obscuro – ou ainda não explicado pela História lusitana – que dê margem a tais interpretações, e em se achando oportunidade para tal, como no caso do nome Arez, lançam suas hipóteses, ligando um tema ainda cercado de enigmas a possíveis referências aos deuses pré-romanos, provavelmente, na esperança de que suas suposições venham a se tornarem verdadeiras algum dia…

A hipótese apontada no verbete do município de Nisa, na Wikipédia:

Mais uma hipótese acerca da origem do nome Arez, que é bastante interessante, pode ser encontrada na Wikipédia, no verbete do município de Nisa (http://pt.wikipedia.org/wiki/Nisa). De acordo com o texto ali exposto, a palavra Arez pode ter-se originado em virtude da ocupação francesa naquela região de Portugal, ocorrida no início dos anos 1200. Inclusive, das 5 hipóteses mais conhecidas e aqui avaliadas, esta me parece ser a mais plausível, ainda que não se possa considerá-la como sendo verdadeira.
Partindo-se dessa hipótese, atribuída pelo documento ao pesquisador Carlos Cebola, naquele início do Século XIII colonos franceses passaram a habitar a região de Nisa (antigamente, chamada também de Nissa), atendendo à necessidade de fixar moradores naquela parte desabitada da Península Ibérica.
Na medida em que fundavam seus povoados, batizavam-lhes com nomes de sua terra de origem, tal como ocorreu no caso de Nisa, que teria sido ocupada por colonos provenientes da cidade francesa de Nice, localizada no sul da França, próxima à fronteira com a Itália. A palavra Nice vem do grego (Nikaia), em italiano é grafada Nizza, e em provençal, antigo dialeto francês: Nissa.
O mesmo ocorreu com a freguesia de Tolosa, também pertencente ao município de Nisa, que foi, provavelmente, fundada por ex-moradores da cidade francesa de Toulouse. E, por extensão, acreditam alguns estudiosos portugueses que o mesmo também teria acontecido com a freguesia de Arez (ou Ares), que teria sido edificada, segundo essa hipótese, por antigos moradores de Arles. As três localidades portuguesas citadas, Nisa, Tolosa e Arez, teriam sido batizadas, portanto, em homenagens a cidades do sul da França (Nice, Toulouse e Arles).
No caso aqui em análise, para essa hipótese obter, pelo menos, alguma lógica, a palavra Arez teria que ser originária, por corruptela, do nome da cidade francesa de Arles. Da mesma forma que já explicamos anteriormente, sobre a suposição de que Arez viria do nome do deus Arêncio, afirmar que Arez seria proveniente da palavra Arles parece-me, também, uma proposta forçada.
Não se questiona, por exemplo, que o nome do município português de Nisa (ou Nissa) seja proveniente da palavra francesa Nice. É inquestionável, também, que o povoado lusitano de Tolosa foi batizado em homenagem à cidade francesa de Toulouse, assim como, inclusive, há uma localidade chamada Tolosa na Espanha.
No entanto, suponho que como não era possível explicar, com precisão, a origem do nome de Arez, alguém – em algum momento dessa História – decidiu lançar a hipótese, a partir dos exemplos de Nisa e Tolosa, de que a freguesia de Arez poderia ter sido, naquela mesma época, ocupada por ex-habitantes da cidade francesa de Arles, e, por extensão, esse alguém levantou a hipótese de que a palavra Arez seria uma homenagem a Arles.
Surge daí a interessante indagação: sendo assim, por que Arez não foi batizada, então, com o nome de Arles, tal como Tolosa e Nisa? Não fica parecendo, mesmo, que é forçada a hipótese de que o nome de Arez (ou Ares) tenha a sua origem numa corruptela da palavra Arles?
Recorrendo mais uma vez à sábia afirmação do etimologista potiguar Câmara Cascudo (2001a: 64): “as etimologias”, em sua ampla maioria, “são conjecturas que ficam sendo convenções”; e no caso dessa hipótese em questão, que atribui uma origem afrancesada ao nome de Arez, talvez esta seja uma teoria que já chegou a tornar-se uma “convenção” social, e inclusive, considero que é uma das suposições mais plausíveis para explicar o problema. Porém, deve-se lembrar que ela continua sendo apenas mais uma “conjectura”: é também uma hipótese tão carente de comprovação quanto as outras 4, aqui avaliadas.

A interessante hipótese de Cleudo Freire:

Saindo então dos domínios de textos sem autores devidamente reconhecidos, como no caso das duas primeiras hipóteses, levantadas no site da Câmara Municipal de Nisa (http://www.cm-nisa.pt/), e assim como a terceira, apontada no verbete do município de Nisa – na Wikipédia –, passo agora a analisar a admirável hipótese do escritor potiguar Cleudo Freire.
De acordo com a interessante pesquisa etimológica realizada por Freire, exposta em seu artigo “Arez: O Nome da Terra” (O Poty, 02/09/2007), o significado do nome de Arez poderia ter origem na palavra Terra, tal como esta é grafada na língua hebraica: Há-Érets, referindo-se à “Terra Prometida” pelo Deus Javé ao povo judeu, nos tempos de Moisés e do Êxodo, cujo relato encontra-se no Antigo Testamento bíblico.
Segundo Cleudo Freire: “há documentos que nos deixam a clara impressão de que [a] Arez [norte-rio-grandense] foi uma cidade que recebeu um grande número de degredados pela Inquisição”, e “tais documentos falam do envio de degredados àquela cidade, para cumprir pena inicial e obediência ao Cristianismo”. Esse autor ainda acrescenta que “não é difícil imaginar a que fé estes condenados pertenciam. Eram judeus apelidados pejorativamente pela igreja de Cristãos-Novos”, ou seja, eram sobretudo judeus portugueses, ou descendentes destes, forçadamente convertidos ao catolicismo.
A partir disto, Freire levanta a hipótese de que aqueles novos moradores de Arez, em 1760, na ocasião proporcionada pelas diversas reformas encetadas pelo Marquês de Pombal, teriam influenciado no rebatismo da antiga Missão Jesuíta de São João Batista de Guaraíras com o nome de Nova Villa de Arez, homenageando a freguesia portuguesa de Arez (onde, na época, é possível que também residissem cristãos-novos), mas, principalmente, porque tal nome significaria Terra, na língua hebraica. Lembremos que, segundo os alvarás régios de 1755 e 1758, ficou determinado que os brasileiros fizessem “a substituição dos nomes nativos nas [sua] povoações”, toponímias geralmente indígenas, e por isso chamadas de “bárbaras”, por “nomes dos lugares e vilas’ de Portugal “que bem vos parecer” (Cascudo, 1968: 162, 181).
A hipótese de Cleudo Freire, portanto, nos leva a relembrar a brilhante afirmação de Câmara Cascudo (2001a: 64), quando enfatiza que a maioria das tentativas dos etimologistas são apenas “conjecturas”, mas que podem vir a se tornarem “convenções” sociais: dependendo da “maior ou menor habilidade erudita” sustentadas pelo intelectual que as defende como verdadeiras.
Nesse ponto, é válido repetir aqui algumas perguntas já feitas anteriormente: por que a antiga Aldeia de Guaraíras, no Rio Grande do Norte, foi rebatizada com o mesmo nome da Arez portuguesa? Qual o objetivo de tal homenagem? A quem interessava a escolha justamente desse nome? Por que alguém elegeu, para rebatizar aquela Missão jesuíta/indígena, o nome de um pequeno povoado lusitano – ao invés de ter escolhido o nome de qualquer outra cidade portuguesa importante ou de um Distrito?
Considero a hipótese de Cleudo Freire muito bela, e acredito que ela pode vir ainda a ser, algum dia, provada como estando correta. No entanto, igualmente às outras 4 hipóteses aqui analisadas, a proposição freireana não pode ser admitida como verdadeira, por falta de comprovação documental, assim como, da mesma forma que as demais suposições, não pode ser descartada como falsa.
Avaliando o exposto até aqui, com base em minhas pesquisas posso afirmar que:
1º) é inquestionável que o nome da Arez potiguar, assim rebatizada em 1760, homenageia a Arez portuguesa;
2º) também é verdadeiro que em 1226 este nome se escrevia Ares, com /s/ no final, o que é comprovado pelo Foral de Marvão (Índice Toponímico do Concelho de Nisa, Fernando Portugal, 1964: 505);
3º) é correto que em 1763, pelo menos aqui no Rio Grande do Norte, a palavra já era escrita como sendo Arez, com /z/ no final (Livro de Tombo da Matriz de Nova Villa de Arez/RN), da mesma forma que em 1938 (Decreto nº 457, assinado pelo Interventor Rapahel Gurjão), e até hoje (emenda nº 3, de 05/03/1993, à Lei Orgânica de Arez/RN).
Isto significa que em algum momento dessa História, entre os anos de 1226 e 1763, o topônimo foi mudado de Ares para Arez. E isto, certamente, aconteceu ainda na Arez portuguesa, já que o nosso município potiguar já recebeu o nome de Arez, com /z/ no final, comprovadamente, desde que foi assim rebatizado, em 1760.
Pode-se então deduzir, sem muito esforço, que uma pesquisa etimológica que venha a confirmar a origem da palavra Arez e, talvez, comprovar se a sua definição viria da palavra Terra (em hebraico, demonstrando-se uma possível influência judaica), somente pode ser empreendida estudando-se, em arquivos históricos de Portugal, a documentação que trate da Arez lusitana. Algumas importantes questões a serem respondidas por tal pesquisa são: quando se deu a mudança no nome daquele lugar, de Ares para Arez, que transformou completamente tanto a sua pronúncia quanto o seu significado? Qual foi o porquê de tal mudança? A quem interessava tal modificação? Deixo registradas aqui mais essas idéias, visando a investigações futuras…
Por fim, é preciso reconhecer que a admirável hipótese de Cleudo Freire, sem dúvida alguma, nos oferece um riquíssimo tema para a investigação histórica, seja para pesquisadores do Brasil ou de Portugal, seja para os arezenses – potiguares ou lusitanos – interessados no resgate de suas origens. Inclusive, esse assunto do “exílio” forçado de “cristão-novos” em terras norte-rio-grandenses, e no Nordeste, de modo geral, vem sendo estudado com bastante entusiasmo na atualidade[9].

A hipótese de André Sales:

Partindo de minhas próprias pesquisas sobre a origem e o significado da palavra Arez, e tomando por base o Foral de Marvão, de 1226, o mais antigo documento histórico conhecido a citar o nome da Arez lusitana (Portugal, 1964: 505), escrito naquela época como sendo Ares (com /s/ no final), levanto então a hipótese de que o nome daquela pequena freguesia portuguesa pode ter sido uma homenagem ao mitológico Ares, o impiedoso deus grego da guerra[10].
Naqueles anos de 1220, o Ocidente encontrava-se em plena Idade Média; por essa época, a Igreja Católica era a proprietária de meia Europa, e já se preocupava com as heresias e fundava suas Inquisições, buscando destruir – em seus domínios – todas as formas de religiões diferentes, mulçumana, hebraica, etc.
Dessa forma, sabemos que não interessava à Igreja Católica a difusão da cultura grega, considerada pagã, inclusive, os textos gregos eram proibidos, porque “sendo pagãos, poderiam pôr minhocas nas cabeças que a Igreja esforçava-se por cristianizar e manter cristianizadas” (Lajolo, 1982: 59). Da mesma maneira, pode-se afirmar que não interessava ao catolicismo, por exemplo, manter o nome da pequena freguesia de Arez, em Portugal, como uma homenagem a um deus grego (Ares).
Assumindo-se essa hipótese como verdadeira, minha suposição é que ao invés de mudar o nome do lugar, o que talvez não viesse a apagar da cultura popular o costume adquirido pela tradição, optou-se então por mudar apenas uma letra daquele pequeno nome, transformando-se, desse modo, a sua fonação. Ou seja: com a trasladação do nome daquele povoado, de Ares para Arez, obtinha-se também uma mudança de fonação, de /Áres/ para /Arêz/, o que transforma completamente o sentido da palavra, fazendo-se surgir, assim, um nome novo, diferente (Arez), ao mesmo tempo em que se ocultava a referência a Ares, um deus pagão.
No entanto, tal como as demais hipóteses, a minha também carece de comprovação documental, pois da mesma forma que não há provas, por exemplo, de que tenha havido o culto ao casal de deuses pré-romanos Arêncio e Arência naquela região – onde se encontra a Arez lusitana –, o que pode a vir a invalidar a hipótese de esta toponímia ser uma homenagem ao deus Arêncio, também não há provas de que o deus grego Ares tenha sido ali cultuado.
Desse modo, igualmente às hipóteses anteriores, minha suposição nem pode ser declarada como sendo verdadeira e nem pode ser descartada, como estando errada. Talvez, como todas as conjecturas aqui avaliadas, essa hipótese pode também, algum dia, ser revelada como estando correta.
A única alternativa que nos resta é esperar que, a partir de outras pesquisas, em breve apareçam provas concretas acerca do significado do nome daquela freguesia portuguesa e, em conseqüência, de nossa Arez norte-rio-grandense.
Por fim, resumindo o exposto até aqui, pode-se também imaginar que, talvez, em algum momento dessa História, alguém tenha decidido alterar o nome do deus grego Ares para outra palavra, e dessa forma, mudando apenas uma letra, no final daquele nome – já que sabemos que Ares tornou-se Arez –, teria também transformado o seu sentido; e essa idéia, note-se, pode ter partido tanto de pessoas de origem católica, contrárias a homenagem feita a um deus pagão, quanto de habitantes de origem judaica. Ou seja: a antiga referência a um deus da guerra (Ares) teria sido então, com a mudança de somente uma letra, trasladada para uma bela palavra hebraica (Há-Érets: Terra, Arez), segundo a hipótese levantada por Cleudo Freire, numa homenagem à “Terra Prometida”.

4. Conclusão:

Para concluir o assunto, é preciso ainda ressalvar que a mudança ocorrida na escrita do nome de Arez – mexendo-se em apenas uma letra (de Ares para Arez) e transformando inclusive o seu significado –, que se deu em algum tempo da História ainda desconhecido, pode também ter acontecido por uma mera coincidência, por uma mera convenção socialmente imposta, advinda da forma mais comum das pessoas escreverem a palavra (que seria usando-se mais o /z/ no final). É necessário, portanto, levar em consideração, também, a hipótese de que talvez não tenha havido, nesse caso, nenhum interesse (político ou religioso) por trás dessa mudança etimológica…
Devo concluir então, para não ser acusado de ter esquecido alguma outra hipótese, lembrando que o escritor potiguar João Alfredo de Lima Neto, em seu livro Anotações Sobre a História de Arez, lançou a proposição de que o nome Arez: “Significa dente do mestre, supõe-se alguma divindade remotíssima” (2000: 29). No entanto, esse autor não cita a fonte documental da qual teria retirado tal suposição, o que torna a sua conjectura não inválida, mas, carente de comprovação histórica; ou seja, até hoje, ninguém apresentou meios de confirmar se esta proposição tem alguma lógica que, pelo menos, a sustente como uma hipótese válida para análise.

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[1] Escritor, estudioso da História e da Cultura de Arez, tem bacharelado e mestrado em Serviço Social. Atualmente, é assessor de cultura do Prefeito Municipal (Dr. Erço Paiva), assistente social da zona rural de Arez e sócio efetivo da União Brasileira de Escritores (UBE/RN).
[2] Os mais importantes trabalhos que versam sobre a ocupação holandesa no Nordeste do Brasil são: o livro de José Antônio Gonsalves de Mello, Tempo dos Flamengos (2001), e o de Câmara Cascudo, Geografia do Brasil Holandês (1956), verdadeiros clássicos acerca do tema; de Evaldo Cabral de Mello: Rubro Veio (1997) e Olinda Restaurada (1998). Especificamente sobre a invasão neerlandesa no Rio Grande do Norte, e sempre fazendo referências à Ilha dos Flamengos, em Arez, pode-se consultar: Os Holandeses no Rio Grande do Norte, de Câmara Cascudo (1949); de Olavo de Medeiros Filho: Os Holandeses na Capitania do Rio Grande (1998) e “Os Primórdios da História de Arez” (2003); e de André Sales, Câmara Cascudo: O que é Folclore, Lenda, Mito e a Presença Lendária dos Holandeses no Brasil (2007).
[3] Etimologia é o estudo da origem e da evolução das palavras, em diferentes estados anteriores da língua, quer na forma mais antiga conhecida, quer em alguma etapa de sua evolução, até chegar ao étimo: o termo que serve de base para a formação de uma palavra – pode ser uma forma antiga, do mesmo idioma ou de outro, de que se origina a forma recente (Houaiss, 2009: 847).
[4] Durante o reinado de Dom José I, o Marquês de Pombal foi – entre os anos de 1750 e 1777 – o onipotente Secretário de Estado do Reino, uma espécie de “Primeiro Ministro”. Unindo monarquia absolutista e racionalismo iluminista, Pombal foi um importante personagem de nossa História porque: provocou a expulsão dos jesuítas de Portugal e suas colônias, em 1759, incluindo-se aí o Brasil, transformando as antigas missões indígenas em Vilas (tal como ocorreu na Arez potiguar); transferiu então o sistema de ensino das mãos da Igreja para a responsabilidade de professores leigos; extinguiu o regime de Capitanias Hereditárias no Brasil (em 1759); mudou a capital da Colônia, de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763; e ajudou na extinção da Inquisição no império português, proibindo a prática dos “autos de fé” e a discriminação aos cristãos-novos (Franchini Neto, 1981), ainda que a Inquisição portuguesa só tenha sido definitivamente extinta em 1821. Mesmo sendo o resultado de ordens régias anteriores, datadas de 1536, o Tribunal do “Santo” Ofício foi “definitivamente estabelecido” em Portugal no ano de 1547 (Novinsky, 1994: 36; Cascudo, 2001b: 90), tendo alcançado também o Brasil, de 1591 em diante, inicialmente na Bahia e em Pernambuco. O livro de instruções fundamental era o Monitório do Inquisidor Geral, escrito em 1536 por D. Diogo da Silva, tendo se tornado, nas palavras de Cascudo (2001b: 92): “o código orientador das denúncias e confissões”.
[5] Apenas a título de esclarecimento, os primeiros registros documentais conhecidos que tratam do povoamento da Arez potiguar, datados de 1605, atestam que naquela época já habitavam aqui os indígenas da Aldeia de Jacumaúma, de língua Tupi. No Traslado do Auto da Repartição das Terras da Capitania do Rio Grande (1909: 44, 73), encontram-se inscritas as duas primeiras datas de terras doadas na região de Arez a pessoas de origem européia: a de n° 86, foi concedida pelo Capitão-Mor Jerônimo de Albuquerque, em 11/10/1605, ao português Domingos Sirgo; o registro faz referência ao “pacoval [bananeiral] de Jacumahuma”, perto do Rio Jacryhu (atual Rio Jacu). Como Domingos Sirgo “nunca fez benfeitorias” nas terras, em 1614 essa data de terra havia sido devolvida e já estava então doada às filhas de Manuel Rodrigues de Souza Forte, servindo para “gados e mantimentos”. Também o registro da data de terra n° 181, concedida pelo Capitão-Mor Francisco Caldeira de Castelo Branco, em 11/12/1613, ao mesmo Manuel Rodrigues – para “pastos e roças, e canas” –, cita também a existência, nas proximidades, da Aldeia de Jacumahuba.
[6] As habilidades etimologistas de Câmara Cascudo são incontestáveis, e há exemplos espalhados por toda a sua erudita obra: como ocorre em seu interessante livro Made in África (de 1965), que é um trabalho eminentemente de etnografia, no qual o autor expõe diversos pontos de contato entre a cultura popular brasileira e a africana, mas que também demonstra as preocupações de Cascudo com a origem e o significado das palavras, percorrendo em suas análises, inclusive, diversos idiomas; também serve de exemplo o seu Ensaios de Etnografia Brasileira (de 1971). Já o livro Nomes da Terra, de 1968, é um verdadeiro “Tratado” de Etimologia norte-rio-grandense.
[7] Em 1647, Gaspar Barléu publicou seu famoso livro História dos Feitos Recentemente Praticados Durante Oito Anos no Brasil, no qual está incluído um exuberante mapa da geografia do Nordeste durante a ocupação holandesa (1630-1654), de autoria do cartógrafo Jorge Marcgrave, desenhado em 1643 – ornamentado com gravuras do jovem pintor holandês Frans Post. Registrados nesse mapa, encontramos alguns lugares da Arez potiguar, tais como: a Aldeia Aranum (grafada como Araunu), a Lagoa de Guaraíras (Guiraraíra), o Rio Limoal (Irimuá), o Rio Urucará (Uricará) e o Rio do Meio (Nambutiú). Evaldo Cabral de Mello (1997: 46) já chamou a atenção para a “grafia estropiada” da toponímia nordestina tal como era escrita pelos holandeses, e incorporada à sua “rica cartografia”. Reproduções de trechos do Mapa de Marcgrave, onde aparecem com clareza os pontos de Arez citados, podem ser vistos em: Gaspar Barléu (1974); Medeiros Filho (1989); e Lima Neto (2000).
[8] Um dos exemplos mais famosos na área da etimologia, em se tratando de palavras de origem obscura, e da existência de várias hipóteses acerca de sua gênese, significado ou pronúncia, tal como ocorre como o nome de Arez, é que nunca se soube, nem jamais saberemos, como se falava o nome de Deus na época do Antigo Testamento bíblico, texto no qual o nome divino é citado em torno de 6.000 vezes. Neste caso, sabe-se apenas que a palavra era então representada pelas letras YHWH, porém, não existe “certeza” de como era a sua pronúncia no dia a dia dos hebreus, nem se sabe qual é o seu significado. Na atualidade, o normal é traduzir-se o nome de Deus como sendo Javé (Yahweh), ou Jeová, contudo, esta é uma convenção social. Como define Câmara Cascudo (2001a: 64): “As etimologias, em percentagem esmagadora, são conjecturasconvenções”. Já nas palavras do crítico shakespeariano Harold Bloom (2006: 151-152): Javé “é apenas uma conjectura, porque a tradição guardou o nome sagrado”. Ou seja, na contemporaneidade nós apenas imaginamos como se falava a palavra IHWH, que é apenas um pedaço, escrito, da palavra inteira, que era apenas falada. Bloom ainda complementa que “o significado do nome [Javé] é tão obscuro quanto a pronúncia”. No caso da palavra Arez, também não se sabe nem a sua origem e nem o seu significado, além dela ter mudado, com o correr dos anos, sua forma de escrita e de pronúncia: de Ares, no passado, para Arez, na atualidade. que ficam sendo
[9] Um trabalho fundamental – que trata da chegada de judeus ao Brasil –, principalmente portugueses e seus descendentes (os sefardim, ou sefarditas), referindo-se especificamente ao Nordeste e embasado em documentos originais dos anos 1600, é o livro clássico Tempo dos Flamengos, escrito por um dos maiores historiadores do Brasil, o pernambucano José Antônio Gonsalves de Mello (2001: 258 a 275). Descobridor da primeira Sinagoga das Américas (Kahal Zur Israel), erguida provavelmente em 1637, no Recife, em seu livro este autor revela a presença, no Nordeste, de sobrenomes de ascendência incontestavelmente judaica, tais como: Fonseca, Navarro, Martins, Castro, Nunes, Faria, Oliveira, Pereira, Azevedo, Mendes, Aguiar, Torres, Dias, Frazão, Lemos, Correia, Pinto, Castanho, Saraiva, Mesquita, Coelho, Guimarães, Mota, Cardoso, Bloom, etc (Mello, 2001: 275). Outro clássico sobre o tema, em se tratando da região Nordeste, é o livro de Câmara Cascudo, Mouros, Franceses e Judeus: Três Presenças no Brasil (2001b: 90 a 111), que traz um importante texto sobre o assunto. Especialmente em termos de História norte-rio-grandense, são imprescindíveis os livros: Velhas Famílias do Seridó, do saudoso Olavo de Medeiros Filho (1981); Natal: Uma Comunidade Singular, de Egon e Frida Wolff (1984); e Raízes Iberas, Mouras e Judaicas do Nordeste, da célebre teatróloga Lourdes Ramalho (2002).
[10] Grécia e Roma são as civilizações Ocidentais que mais se destacaram na História da Antiguidade Clássica, sendo a Grécia a mais importante daquele período. Constituída inicialmente por povos Jônios e Aqueus, os gregos se consideram descendentes de Heleno (filho de Deucalião), sobrevivente de um dilúvio provocado por Zeus. Daí advém o sinônimo de Hélade para a Grécia, e de helenos para seus habitantes. A cerca de dois mil anos antes de Cristo, a Grécia foi invadida pelos Dórios, que era um povo eminentemente guerreiro, dos quais viria a descender a aristocracia grega dos espartanos, cuja vida social girava em torno, essencialmente, da formação de guerreiros. A cultura dos Dórios, porém, era inferior à dos povos conquistados: a coluna dórica, por exemplo, de capitel reto e sem ornamentos, se comparada aos dois outros estilos de colunas gregas (jônico e coríntio), é esteticamente a mais pobre. Os Dórios obrigaram então os Aqueus a fugirem e ocuparem a Ilha de Creta, já bastante civilizada na época. De religião antropomórfica e politeísta, a cultura helenística adorava deuses semelhantes aos homens, possuindo igualmente fraquezas, virtudes e paixões; desse modo, havia geralmente um deus para cada aspecto da natureza e das atividades humanas. Para os gregos, portanto, Ares era adorado como o deus da guerra. Mais tarde, conquistada a Grécia pelos romanos, houve uma latinização das grandes divindades: Zeus, o pai dos deuses gregos, passou a ser identificado com o deus romano Júpiter, assim como ocorreu, da mesma forma, com Atena (Minerva), Artêmis (Diana), Posseidon (Netuno), Dionísio (Baco), etc. Nesse contexto, Ares, filho de Zeus e Hera, passou a ser identificado com Marte, o deus romano da guerra, que, por sua vez, também era um deus muito importante, ao ponto de ser tido como o mitológico pai de Rômulo (fundador de Roma e seu primeiro Rei) e Remo, concebidos com a humana Rea Sílvia (Souto Maior, s/d: 68-78)."

IN"União Brasileira de Esccritores RN - Nave da Palavra"
publicado por DELFOS às 03:37
Fevereiro 2011
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