03 de Março de 2011

O Topónimo Arez, por vezes aparece referenciada como “Ares”, podendo-se relacionar com a interpretação à alusão dos bons ares da localidade.
Outra hipótese relaciona-se com o nome romano Arentius (Arentius era identificado como o deus romano Arencio), prendendo-se esta possibilidade com os vestígios existentes da romanização na região de Nisa, especialmente a Nisa-a-Velha. Ainda relacionadas com a ocupação romana existem algumas palavras relacionadas com o nome da aldeia: “Arens”, “Arentis” que significa seco ou árido, e “Aires” e “Ares”, topónimos existentes noutras regiões do mundo romano.

No foral de Marvão de 1226 fala-se já “come Ares”, crendo-se ser um topónimo estrangeiro importado por ocasião do repovoamento e colonização do Alentejo.

A ocupação mais antiga da região situa-se em Vila Velha do Ródão (Pedras Ruivas, acampamento paleolítico de 80 000 anos A.C.). Na região de influência de Arez circularam povoações que se fixaram em comunidades com organização, religião, divisão social de trabalho, usos e costumes, hábitos próprios relacionados com o meio natural envolvente.
Modos de vida que hoje se observam nas manifestações religiosas que são as Antas, na vida quotidiana nos instrumentos de sílex e pedra polida, nos objectos de adorno em osso ou em pedra, nas cerâmicas e mesmo no suporte pictórico de uma arte carregada de carácter simbólico e sagrado como é a Arte Rupestre do Tejo.

Esta arte foi sendo elaborada desde o Paleolítico Superior (10.000 AC) à Idade do Ferro (1.000 A.C). Ainda desde período, mais concretamente a partir do Neolítico (5 000 A.C.), são as Antas que existem no concelho de Nisa (a mais conhecida S. Gens). A presença do Domínio Romano comprova-se pelos materiais encontrados no concelho. Aras, material de construção (os “telhões”, as “pedras d’intigo”, a “caqueirada”), as moedas e alguns utensílios (fragmentos de barro).

Do período posterior, das movimentações de povos do norte, as chamadas Invasões Germânicas e do período de Ocupação Islâmica, temos pouca informação.
As populações continuam o seu trabalho quotidiano, muitas vezes indiferente às mudanças politicas, pagando tributos a quem rodava na cadeira das autoridades locais, e assimilando as inovações e ideias que as populações estrangeiras traziam.
 
O sistema de rega ainda usado actualmente não difere muito do utilizado nesses tempos. A nora e a picota devemos às sociedades de Norte de África Islamizados que nos legaram imenso conhecimento.

Após a Reconquista definitiva apresenta-se Arez perante o poder eclesiástico, nos tempos de D.Afonso III (1248-1279), ao bispado da Guarda, até 1278 quando por concordata entre o bispo de Évora, D. Martinho, e o bispo da Guarda, D.Rodrigo, se assentou em que com outras povoações se desmembrasse do bispado da Guarda passando a pertencer a Évora.
Após a reforma eclesiástica de 1882, Arez passou a fazer parte do bispado de Portalegre.

Entre os anos de 1198 e 1200, pelo que é indicado na Chancelaria de D.João II, a Comenda de Arez era criada.

Arez teve Foral dado por D.Manuel I, em Lisboa a 20 de Outubro de 1517. Era Comenda da Ordem de Cristo e como tal o pároco era seu freire professo. Num documento relativo às Cortes de Almeirim (1544), apresentado ao monarca D.João III pelos procuradores, são referidas as villas de “…Monte Allvã /Arees /Villa Frol /Alpalhão”.
 
Em 1704, em consequência da Guerra da Sucessão, a região sofreu prejuízos consideráveis pela passagem de tropas. No Numeramento de 1732 indica-se que Arez tinha perto de 340 habitantes distribuídos de igual forma pelas várias idades da população.

A segunda metade do século XVIII trouxe diversas movimentações militares. Também de 1809 a 1812 a Guerra Peninsular, com as suas tropas napoleónicas, continuaram os prejuízos causados pelos militares.
 
O concelho de Arez era anexado à comarca de Castelo Branco em 1833, bem como os de Montalvão, Alpalhão e Tolosa. Foi o concelho extinto em 1836 pela reforma judicial e definitivamente incorporado na comarca de Nisa em Novembro. Em 1866 Arez tinha cerca de 410 habitantes.

O Século XIX trouxe grande parte das características que toldam ainda hoje Arez. Com a circulação automóvel da segunda metade do Século XX, a estrada nacional que serve Arez viu passar o desenvolvimento à mesma velocidade da dos automóveis, não ganhando nenhuma actividade produtiva, com exclusão de algum pequeno comércio.

A aldeia viu ainda, durante o Estado Novo (década de 40) a criação da Casa do Povo, entidade mais virada para a prestação de cuidados de saúde e assistência em geral. Com o seu fim, viu transferidos os seus serviços para o Posto Médico local. Durante a Idade Média e até meados do século XIX teve “Misericórdia” e “Hospital” que consistia num espaço de tratamento de pequena dimensão, de que não há registo actual de localização.

Entre 1960 e 1991 o decréscimo da população rondou os 40%. A guerra colonial e a Emigração, sobretudo a partir da década de 60, para a Europa e América do Sul, foi a principal causa para este facto, ao que se deve acrescentar a partida de população para os grandes centros económicos onde os empregos ofereciam melhores condições de vida: Lisboa, e cidades em redor, Coimbra, Porto, Portalegre e Castelo Branco, entre outros.

As projecções oficiais para o ano de 2011 apontam para uma população idosa (mais de 65 anos) de cerca de 36% do total, contra 6% de jovens (menos de 15 anos). De facto, Arez, à semelhança de Nisa e do Norte Alentejano, tem visto perder e partir grande parte da sua riqueza humana. Em 1950 o concelho de Nisa possuía 19 920 habitantes, contra 9 864 em 1991.

Actualmente, em conformidade com todo o Norte Alentejano, ocorre um acentuado envelhecimento que caracteriza a sua demografia, pela desertificação e elevado desemprego, pelo progressivo e acentuado abandono dos espaços rurais, mas distingue-se, simultaneamente, inserida Arez no seu concelho de Nisa, pela existência conjunta de recursos e potencialidades que encerra no seu meio.
 
A extraordinária riqueza dos seus valores culturais, históricos, patrimoniais e artesanais, associados a uma atracção turística própria de um meio rural ainda fortemente preservado e de elevada qualidade, tornam o sector turístico um dos eixos estratégicos por onde não poderá deixar de passar o desenvolvimento da região e onde Arez poderá participar de forma activa.

in Arez - Retrato de uma aldeia,  Leitão, Ana Santos; Reis, Ricardo, 2001.
 
publicado por DELFOS às 17:12
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